Guia: Fantasmas no Photoshop

Existem inúmeras formas de criar assombrações virtuais, e maioria aponta para o famoso queridinho da Adobe: o Photoshop. Sem esse programa garanto que metade das supostas fotos de fantasmas que você vê por aí sequer existiriam. Lúgubre e desapontante, mas é verdade. Sem pestanejar, não hesite em embarcar também no cruzeiro dos farsantes...

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Hipertricose: a doença do Lobisomen

A Hipertricose, doença diagnosticada pela primeira vez em meados do século XVII, é uma estranha anomalia encontrada em 1 a cada 10 bilhões de pessoas. De sintomas extremamente peculiares, a doença consiste no crescimento excessivo de pelos pelo corpo da pessoa, lanugem que chega até 15 centímetros, dando-lhe um aspecto medonho..

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Neil Gaiman escreve episódio para Dr.Who

A história começa com o Doutor (Matt Smith) recebendo um sinal de outro suposto sobrevivente de sua raça. Cheio de expectativas, ele, Rony (Arthur Darvill) e Amy (Karen Gillan) vão a um planeta misterioso atrás do boato. Entre os habitantes do planeta que os saudam, há a bela e louca Idris (Suranne Jones). Os três acabam enroscados numa teia de enigmas e perigos inesperados.

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A casa Fantasma

Mesmo que tal página esteja inativa, o conteúdo que ela recebeu até o fatídico dia em que morreu, é o suficiente para nos deleitar. A Casa Fantasma é um site de terror diferente de qualquer outro, pois podemos dizer que foi um dos pioneiros. É como tentar comparar o primeiro Hellraiser com o último. As coisas mudam, para melhor ou não, e os acervos assombrados foram uma delas...

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Tradução de Dong Ghost

Essa história coreana vem ganhando grande número de visualizações na web. O enredo trata de um fantasma de uma mulher que perdeu a filha e por isso se matou, e agora assombra o local onde cometeu suicídio. Finalmente, a obra conta com tradução amadora para o português.

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24 de dezembro de 2011

Detector de fantasmas

Acredita-se que os seres invisíveis e/ou fantasmas utilizam energia para ter forças o suficiente para conseguirem se materializar no nosso plano astral. Dessa forma, é comum ocorrerem mudanças como queda abrupta de temperatura, falhas em aparelhos elétricos, e mudanças nos campos magnéticos em geral.
Seguindo essa lógica, você pode ingressar no mundo das "Energias Sutis" e agir como um perito caçador de fantasmas simplesmente analisando as energias que há por aí com esse prático detector de energias caseiro que pode ser feito em poucos passos.

Material necessário:
  • 1 caneta BIC
  • 1 Raio fino de roda de bicicleta (Pode ser comprado numa Bicicletaria)

1 - Retire a carga de dentro da caneta BIC.
2 - Corte as duas pontas do raio de bicicleta.
3 - Dobre o raio a 90° nas seguintes medidas: 12 cm por 22 cm.
4 - Coloque essa raio dentro do tubo (agora sem a carga) da caneta.


Para usar seu detector, basta segurá-lo com a mão direita e deixar a Haste (modo técnico de chamar o raio da bicicleta) voltada para a frente do seu corpo, muito bem nivelada.
As mudanças no campo eletromagnético farão a Haste se movimentar para a esquerda.

Auxílio: Sobrenatural.org

20 de dezembro de 2011

Contos de Natal assustadores

O fantasma que veio assombrar o Natal
Betimartins

O frio já se fazia sentir, a cabana estava já apinhada de toros de madeira grossa, lá fora já caia a primeira neve, lenta, branca, fofa e aprumada, as crianças já estavam em altos alaridos, vestindo casacos e querendo brincar na neve.
Era a primeira vez que iam passar o Natal na montanha, férias e fins de semana, já tinham passado, mas ficarem isolados por dois meses na montanha era a primeira vez. A babá também veio conosco, foi muito trabalhoso, compras, encher arcas, transportar gasóleo para o gerador, bem melhor nem falar.
Meu marido tirou férias, quis também ficar mais uns tempos com os filhos, eu apenas tinha que escrever um livro sobre a minha infância, tinha apenas dois meses nada mais. Apertado, mas com toda aquela ajuda também não seria impossível, eram três meninas, de idades diferentes, muito barulhentas.
Mais dois dias e já tido estaria coberto de neve sem poder ter mais contacto com a civilização, apenas os telefones e o radio, logo ficaria sem net e claro que seria mais difícil entreter as crianças por ali.
O meu livro já estava no meio, escrevia sem parar, o meu marido fazia as refeições e a babá era de grande ajuda por ali, sempre estavam ligadas as crianças, quase que nunca me incomodavam. Estava eu distraída olhando pela janela os vendo, brincando e rindo, atirando bolas de neve uns para os outros, algo chamou atenção no final do jardim, via uma sombra gigante se movendo, parecendo querer estar escondida de todos ali, apenas observando.
Senti calafrios, algo estava errado ali, levantei-me e sai para chamá-los para dentro, claro que fizeram caras feias e ficaram mal humorados comigo. Meu marido puxou o casaco e exclamou:
- É sempre a mesma, além de estares sempre ocupada e nunca teres tempo para nós cortas o barato da brincadeira com as nossas crianças.
Abanei a cabeça, sem falar no que tinha visto e que estava muito preocupada com tudo isso. Passei a estar mais atenta no dias seguintes, mas nada vi de estranho, meu coração foi sossegando aos poucos, afinal eu devia ter visto mal.
Dezembro já estava correndo rápido, as meninas andavam numa alegria descomunal, estavam preparando os enfeites do Natal, era dentro e fora da casa, que alegria era agradável de ver. Desliguei-me e contagiada os fui ajudar estivemos o dia todo, mas no final valeu a pena,quando ligamos as luzes, tudo estava lindo, parecia um quadro natalício, lindo demais.
Aquele dia foi mesmo muito especial, ela trouxe a memórias lindas lembranças do passado, dos seus natais passados. Já estavam todos dormindo, quando de repente são acordados pelo grande estrondo na sala, todos se levantam e descem as escadas e são surpreendidos com algazarra que seus olhos vêem tudo destruído, tudo não sobrou nada ali.
Estranho, a porta estava trancada. A babá corre levando as crianças para o quarto, perguntas e mais perguntas sem resposta. Sem saber o que pensar eu e o meu marido sentamos no sofá em frente da lareira que estava quase apagado, de repente ele reacende como por artes mágicas.
Olhando meio atônicos sem saber o que pensar, nós vemos uma figura sinistra na chama da lareira, horrenda e rindo, articulando gestos de muito zangado. Nisto as bolas disparavam do chão da sala como por artes mágicas no ar, tentando nos acertar, escutamos uma voz distorcida, falando:
- Vão embora daqui, vão antes que seja tarde demais...
Levantamos e corremos para as escadas, temendo de medo, estávamos assustados por demais, que fazer naquela hora. Como poderíamos cuidar da nossa família se não tínhamos ninguém, estávamos isolados, ali, nem telefone, mas quem sabe se amanha o radio volta a funcionar, pensando em mais uma noite naquele lugar.
O vento estava forte, batia sem parar nos vidros, as sombras sinistras das arvores pareciam ameaçar, juntamente com o fantasma que estava ali, habitando conosco, sem conseguir dormir, sentada na cama, minha mente estava fervilhando em idéias para ir embora dali o mais rápido possível.
O dia amanhecia ainda mais cinzento que a noite, uma grande tempestade estava vindo para a montanha, sinal de grandes complicações, sem sinal de radio e nem como sair dali. Levantamos cedo e descemos para arrumar a sala para que as crianças sentissem menos medo, fui preparar o pequeno almoço para as crianças, fiz tudo o que elas gostavam tudo mesmo.
Tentamos não passar as nossas preocupações, a tempestade veio com tudo, um forte nevado cobriu a montanha como nunca antes sido visto, queríamos abrir a porta, não conseguíamos, a neve impedia, pelo grande volume.
Meu marido conseguiu sair pela janela e limpar algumas partes para que pudéssemos buscar lenha e ligar o gerador e claro buscar mantimentos na cabana do lado, as meninas estavam alegres já nem se lembravam da noite anterior, mas as ter presas por casa era complicado, descobriram o sótão, subiram e tinha tantas coisas antigas ali guardadas.
Todas elas brincaram por ali, Joana a mais velha descobriu um baú que não era fácil de abrir, foi buscar uma alavanca e forçou a fechadura e lá conseguiu.
Tinha montes de fotos, um lindo álbum bem conservado ainda, vestes de um homem, de muita elegância, óculos, canetas de tinta, tinteiros, anotações e outras coisas mais, tudo era estranho parecia que estavam descobrindo uma nova vida, remexendo mais no fundo encontram uma foto muito bem embrulhada com um laço rosa já descolorido. Era a foto de um casal muito elegante, atrás da foto, estava uma dedicatória de amor do senhor para sua esposa, seu nome era Benedito Ventura, mais no fundo estava uma fila de livros muito bem alinhados e conservados, pegaram neles e viram que ele era o autor dos livros.
Correndo pelas escadas fora Joana gritava:
- Mamã, olha o que eu encontrei aqui, ele também escrevia como tu, olhas, para esta linda foto deles aqui.
Olho com alguma curiosidade e qual é o meu espanto que é a foto dos meus visa vós, apenas existia uma na casa de meu tio, única, pois todas foram destruídas pelo incêndio, mas como esta foto veio parar aqui? Pensava eu. Meus olhos encheram-se de lágrimas, pedi que me levassem ao sótão onde estava tudo guardado, remexi em apontamentos e descobri que eram do meu visa avó, mas como se ele morreu no incêndio? Era tudo muito estranho ali. Peguei nos apontamentos todos e trouxe comigo e alguns livros, li coisas intimas do amor exagerado dele com a minha visa avó, mas o que iria me chocar mais ainda é que ele é que incendiou a casa por ciúmes e ela morreu queimada.
Se for assim, ele conseguiu fugir, mas quem era o corpo dentro da casa e lendo as anotações descobre que ele leva um sem abrigo e o embebeda, deixando-o lá dentro morrendo com a, visa avó se fazendo passar por ele.
Seu passado remexeu com a sua mente, memórias tristes assolaram sua cabeça, seus pais já tinham partido, sua mãe iria ficar tão feliz por ver aquele álbum, de repente a Joana dá um grito:
- Mamã olha esta foto pareces mesmo tu, igualzinha a ti.
Olhei a foto e era minha cara, apenas a preto e branco, mas era a minha cara. Meu marido se assustou com a semelhança da foto e franziu sua sobrancelha, acho que lhe li o pensamento.
Se eu era a cara dela o fantasma só podia ser o visa avô, se ele queria tanto mal e era tão mau que ele nos iria fazer?
Afinal o segredo foi desvendado ali, o visa avó nunca foi lá muito boa pessoa, mas sim muito mau tão mau ao ponto de matar como nas suas tramas policiais. Eu estava estarrecida com este segredo, por demais, mesmo, sem saber o que pensar e fazer. As meninas enchiam-nos de perguntas e voltar ao passado estava sendo penoso demais, era uma maldade sem limites forjar a sua própria morte e se manter escondido anos e anos a fio.
Não tinha cabeça para escrever, fui deitar um pouco, adormeci por segundos e vi todo aquele horror, a casa queimando, ela pedindo socorro e ele de fora rindo, rindo diabolicamente. Acordo assustada, não era um sonho, mas um pesadelo real, ele estava ali de frente a sua cama. Olhando-me, com olhar maligno, de vingança e escuto suas palavras:
- Maldita, vieste para me assombrares, maldita sejas tu que vieste me tirar o sossego aqui, eu te matei e tu voltaste de novo.
Por momentos eu queria fugir, o quarto estava gelado, sombrio, silencioso, queria dizer que não era ela, mas a minha voz não saia, ele olhava-me com maldade, quase podia ver o que ele estava pensando na sua vingança.
Ele grita e tudo sai dos lugares, minha cama gira em volta do quarto, escuto tentarem abrir a minha porta sem conseguirem, ele grita:
- Vais arder aqui hoje comigo, vou pegar fogo a tudo isto aqui, ninguém vai descobrir o meu segredo, maldita sejas tu que vais comigo para o fogo do inferno.
Eu estava suspensa no ar a cama girava a volta do quarto, o medo gelava as minhas veias, sabia que ia morrer, apenas pensava nas minhas filhas e num ato de desespero, consigo gritar:
- Saiam da casa rápido, saiam, leva as meninas daqui, ele nos vai matar a todos, saiam, vão embora.
Algo já estava queimando, o tapete já estavam ardendo, as cortinas também, todos corriam para o andar de baixo, as chamas eram intensas, queriam abrir as portas e não conseguiam alguém atira com uma cadeira e parte os vidros da frente da porta, saem todos por ali.
Já todos fora, as crianças chorando, chamando por mim, eu ainda lutava apesar das chamas, ele estava olhando, rindo, divertindo, a cama já tinha parado de rodar, eu já estava mais segura do meu corpo, olhei para o lado, estava uma bíblia na cabeceira da cama, estiquei as mãos e alcancei-a, ele tentou evitar mas não conseguiu.
Ficou um silencio mortal, apenas escutava o crepitar do fogo, o fumo já me deixava tonta, ele ainda ria chegando para perto de mim.
Olhei para a janela, estava tão perto, rezei a Deus e pedi que eu voltasse a ver as meninas de novo, agarrada a bíblia, rompo a janela e atiro-me para o jardim. Sinto vidros entrando em mim, o corpo caiu, senti uma dor latejante no joelho, todo o meu corpo doía, tentei levantar para onde escutava gritos e vozes.
Arrastando-me pela neve sentia que a dor era menor que a minha vontade de viver e voltar a ver as minhas filhas, a casa ardia toda, vejo a minha família, eles ainda nem me viram, escuto as meninas chorando por mim. Gritei:
- Estou aqui, ajudem-me!
Felizes, meu marido, a babá e as minhas filhas correm ao meu alcance, nem eu mesmo sabia como tinha ido parar ali, não sabia mesmo, sabia como tinha conseguido, mas aquela bíblia me salvou, pois nunca tinha tido fé na minha vida e ela me salvou. Agora já podia escrever a minha verdadeira história.


Um conto de Natal
Flavio

Mais um final de ano se aproxima e com ele a festa mais aguardada pelas crianças.
Noite de Natal. Crianças espalhadas pelo mundo inteiro aguardam a visita do bom velhinho. Apreensivas esperam que Papai Noel chegue com os presentes tão desejados durante o ano, mas nem todos os pequeninos acreditam na figura de um homem vestido de vermelho com barba comprida e um barrigão.
Esta é a história dos irmãos Daniel e Rodrigo, um com doze e o outro com sete anos. O primeiro não possui mais a ilusão do velho barbudo, é muito difícil hoje em dia uma criança nessa idade acreditar que um velho desconhecido venha até sua casa entregar presentes.
- Rodrigo. O que você está fazendo? Perguntou Daniel o mais velho.
- Estou colocando um bilhetinho na árvore de Natal com meu pedido para o Papai Noel.
- Larga a mão de ser bobo. Já não te falei que Papai Noel não existe.
- É lógico que existe. Eu o vi no Shopping hoje à tarde.
- Está vendo como você é besta. Era um homem vestido de Papai Noel para enganar trouxas como você.
- É mentira. Eu conversei com ele. Ele disse que vai trazer meu presente porque fui um menino bonzinho.
- Então fica esperando seu bobo, ele não vai trazer nada pra você. Ele não existe e nunca existiu.
- É o que veremos.
Faltando vinte minutos para as doze badaladas, Viviane mãe dos meninos entra na sala e vai falando.
- Meninos. Está na hora de vocês irem dormir.
- Mãe, eu quero esperar Papai Noel. Falou Rodrigo.
- Não pode meu filho, senão Papai Noel não vai trazer seu presente. Vai dormir. Quando você acordar Papai Noel vai ter deixado seu presente.
- Tudo bem mamãe.
O mais velho ficou olhando para a mãe com um olhar desconfiado. Raphael, pai dos meninos, não precisava falar para que eles entendessem o recado. Olhou para Daniel, e como se um olhar valesse mais que mil palavras, o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.
Silêncio em toda a casa. Somente o barulho do vento entrando pela fresta da janela podia ser ouvido.
Daniel acordou com sede. Levantou e caminhou em direção a cozinha. Quando chegou próximo a porta da sala, um vulto vermelho e alto na sua frente causou espanto.
- Não pode ser verdade. Eu devo estar ficando louco. Não existe Papai Noel.
O menino seguiu em direção aquele homem travestido com roupa vermelha e botas enormes.
Caminhou lentamente na ponta dos pés até chegar próximo. O homem de costas para a porta não percebeu a aproximação do menino franzino.
- Papai Noel. É você?
O homem virou-se rapidamente baixando o rosto em direção ao menino. Grandes olhos negros fixaram-se dentro dos olhos do garoto. Ficou tão perto do rosto do menino que sua imagem fora refletida na escuridão dos olhos enegrecidos.
A figura grotesca de um velho narigudo e com uma longa barba branca o encarava. Um arrepio percorreu a espinha do garoto. Ficou paralisado sem reação. Não conseguia se mexer nem falar nada. O homem aproximou-se do garoto e uma voz rouca cortou a escuridão da sala:
- Você que é o Daniel. Aquele que não acredita no Papai Noel?
O menino não conseguia abrir a boca, tamanho pavor que sentia no momento.
- Vou perguntar de novo. Seu nome é Daniel?
O garotinho tremendo de medo conseguiu somente dizer um “sim” muito baixo que mal podia ser ouvido. O homem que parecia um gigante calçado de botas abraçou o garoto estático e o colocou num saco vermelho.
Os lábios do menino não conseguiam se abrir. Dava a impressão de estarem colados. Não conseguia falar e nem gritar por socorro. Tentou se debater dentro do saco, mas o corpo permanecia inerte aos movimentos como se uma força externa o paralisasse. O homem aproximou-se da janela da sala e de supetão pulou e sumiu na escuridão da calada noite.
Amanheceu o dia, Viviane colocou a mesa para o café da manhã.
- Daniel. Rodrigo. Venham tomar café.
Somente Rodrigo saiu do quarto e foi em direção a cozinha.
Quando passou pela sala reparou alguma coisa embaixo da árvore de Natal. Um pacote colorido e grande.
Saiu correndo na direção do embrulho com seu nome e começou a rasgar a embalagem. Seus olhos nem piscavam de tão compenetrado que estava.
- Mamãe, mamãe, Papai Noel trouxe meu presente. Eu sabia. Eu sabia que papai Noel viria.
Viviane colocou a cabeça para fora da porta da cozinha e espiou o menino abrindo uma caixa grande. Logo pensou. - Deve ser o presente que Raphael trouxe para os meninos. O garotinho sentia uma emoção tremenda, suas mãos tremiam enquanto as folhas da embalagem caiam ao chão.
– O que será que papai Noel trouxe pra mim?
Gritos de alegria podiam ser ouvidos pela casa.
- Mamãe, papai Noel trouxe meu presente.
Ao abrir o embrulho uma surpresa, o menino havia ganhado um boneco. O brinquedo possuía feições humanas, dava a impressão que estava vivo. Os detalhes dos olhos, da boca e cabelos impressionavam tamanha perfeição.
- Mamãe, mamãe, olha o que ganhei. Ganhei um boneco.
A mulher dirigiu-se para a sala. Um grito de horror pode ser ouvido á distância. Como se fosse acertada por uma bigorna na cabeça. A mulher despenca no chão desacordada.
Daniel, o menino mais velho estava paralisado como estátua. Amarrado em seu pulso em cartão de Natal com a figura do bom velhinho e os dizeres.
- “Nunca subestime o espírito do Natal”


Espírito de Natal
João Herique

Um copo de chocolate quente com creme acompanhava Cris, enquanto ele escrevia seu novo livro de suspense, que, esperava que fosse outro Best Seller, como todos os seus outros livros.
Seus cabelos morenos caiam sobre seus olhos novamente, fazendo com que ele os tirasse dali com sua mão direita.
Olhos castanhos, vidrados em seu arquivo do Word.
Lá fora a neve não parava de cair, como se fosse uma forte chuva.
A cada gole, a bebida quente descia por sua garganta, satisfazendo seus desejos.
Quando atingiu a página duzentos e cinqüenta, a luz acabou.
Ele gritou com toda sua força.
Havia se esquecido de salvar; perdera cinqüenta páginas.
Chutou seu computador com força, e levantou de sua cadeira.
- Inferno! – gritou ele.
Seu telefone então tocou.
Pegou-o e o levou ao ouvido direito.
- O que foi?
- Oi Cris! É o pai, como vai filhão?
- Estava escrevendo e a merda da energia acabou. O que você quer?
- Eu e sua mãe estávamos pensando se não poderíamos passar a ceia de natal amanhã ai em sua casa! O que você acha?
- Dois velhos me enchendo? Obrigado. Tenho de terminar o meu livro, velho. Até.
Pegou o telefone e colocou em seu lugar de sempre.
Sentou no sofá para esperar a volta da energia, e alguém bateu em sua porta.
- Quem é o maluco que está lá fora com toda essa neve?
Abriu a porta, era um mendigo.
- Meu bom moço, o senhor teria um casaco?
- Não. – respondeu Cris fechando a porta.
Voltou a sentar-se e começou a assoviar para passar o tempo, até a energia voltar.
Foi quando começou a sentir muito frio.
- Caramba, será que tem alguma janela aberta por aqui?
Os objetos de sua casa começaram a ficar com uma leve camada de gelo, e então um estranho apareceu no corredor da casa de Cris.
Ele trajava uma roupa toda branca, e seu rosto era coberto por um capuz também branco.
- Q-quem é você?
A “coisa” ficou em silêncio.
- Eu vou chamar a policia!
- Você nem sabe que eu existo, Cris. Na verdade, quase todos sabem da minha existência, mas alguns não “me têm”.
- Do que você está falando? Como sabe o meu nome?
A coisa aproximou-se lentamente de Cris, e tocou-o com uma mão fria e branca.
Neste momento, as portas e janelas da casa se abriram e a tempestade de neve invadiu sua casa.
Cris viu diante dos seus olhos, todas as coisas erradas que fizera em sua vida.
Quando abusou de uma criança de sete anos, e jurou que se ela contasse para os pais iria matá-la.
Viu quando deu um tapa em seu pai, por ele ter feito xixi nas calças, por ser problemático.
Diante dos seus olhos, viu todas as rejeições que fizera a sua família, todas as pessoas que ele fizera mal, em segredo.
Seus olhos começaram a despejar lagrimas, enquanto iam ficando sem cor.
A casa de Cris agora era apenas mais uma casa tomada pela tempestade de neve.
Ele caiu no chão, morto, punido.
- Quem sou eu Cris? Eu sou o Espírito de Natal.


Tales from the Crypt: Have Yourself A Scary Little Christmas

Cryptkeeper, com sua fama conquistada durante a década de 90 graças a série de televisão que estrelou, tinha tudo para se lançar no mundo da música, como já fizeram tantas celebridades que iniciaram suas carreiras como atores!


A tão clamada caveira lançou seu primeiro (e único) CD, Have Yourself A Scary Little Christmas, no Natal de 1992. Suas faixas são compostas pelas já batidas canções natalinas, que ganham um toque único e extravagantes ao serem cantadas por Cryptkeeper (John Kassir) com letras um tanto sinistras.
"Jingle Bells", por exemplo, passou a chamar-se "Juggle Bills" (Equilibrando as contas) e "Deck the Halls with Boughs of holly" virou "Deck the Halls with Parts of Charlie" (Decore a Casa com Partes de Charlie).
Confira abaixo Juggle Bills:

Tales from the Crypt: And All Through the House

Grande clássico que inspirou mestres como Stephen King e George Romero e originou série de mesmo nome exibida nos EUA. O clássico Contos da Cripta surgiu da adaptação de contos da revista em quadrinhos Tales From the Crypt, peculiar compilação de histórias repletas de terror e humor negro. Eis um dos melhores exemplares das HQs antigas de horror, algo que você jamais verá nos dias de hoje.


Neste mês de Natal, falarei especificamente sobre “And All Through the House”. Trata-se de uma parte de um filme, Contos da Cripta - O Filme. No filme, o cultuado por fãs de horror guardião de uma enorme cripta narra o destino de uma mulher e quatro homens.


And All Through the House é a primeira história contada pelo guardião. É sobre uma mulher que assassina seu marido na véspera de natal. Sucessivamente um louco escapa do manicômio, e trajando roupas de Papai-Noel. É meio obvio que ele entrará na casa da mulher, não? Logo ela se dá conta do fato e percebe-se impedida de chamar a polícia devido ao cadáver do marido que assassinara.


A história tem aspecto muito tenso, e envolve o espectador numa densa teia de expectativas, não o permitindo desgrudar os olhos da tela por um segundo sequer. Excelente obra, não só o conto de Natal merece ser visto neste mês, como todo o resto do filme.

Filme para ver no Natal: Gremlins

Finalmente estamos em Dezembro! Mês sensacional, não? Tempos com a família, comida em demasia, festas, luzes. E o melhor para nós, solitários de plantão, ou mesmo para os mais normais que curtem um programinha mais parado em meio a agitação natalina: FILMES!
O cronograma de filmes natalinos promete agradar a todos os espectadores, incluindo os aficionados por terror. Há muitas opções para os fãs de terror, e dentre elas, o super clássico dos anos 80 Gremlins.
Se nunca assistiu, não sabe o que está perdendo. Se já, não custa rever. O fato é que em plena época de Natal, este é um filme indispensável! Nem pense em chegar em janeiro de 2012 sem ter vislumbrado esses monstrinhos malignos no último mês do ano.



Gremlins é uma obra norte-americana estreada em 1984, dirigida por Joe Dante e produzida por Steven Spielberg. O longa-metragem, ótimo exemplar de trash de puro humor negro, foi feito pela Amblin Entertainment e distribuido pela Warner Bros.
O filme começa com Billy Peltzer (Zach Galligan), um rapaz meio abobado e comum. O garoto ganha de seu pai um bichinho muito estranho e bonitinho, um exemplar dos misteriosos "Mogwais", e recebe a recomendação de não molhá-lo. O pequenino é batizado de Gizmo, e logo ambos tornam-se amigos inseparáveis.


Obviamente o paspalho Billy não tarda a encharcar o bicho por acidente, e isso resulta na bizarra multiplicação de Gizmo. Porém, os novos Mogwais não são dóceis e fofinhos como Gizmo; são criaturas malígnas, feias, terríveis, uma amostra de ruindade e enfim, são tudo de negativo! Esses monstros acabam por praticamente dominar a cidade toda, e precisam ser detidos por Billy, seu par romântico (Phoebe Cates) e contam ainda com uma mão de Gizmo.
Clamada obra trash repleta de sangue e comédia, um super clássico que garante muitos risos, para ser visto e revisto.

5 de outubro de 2011

O que a igreja tirou dos pagãos III


Nas postagens anteriores falei sobre Jesus e sua blasfêmia e sobre o "esquecido" Deus Cornífero. Nesta falarei sobre um símbolo muito comum entre diversas religiões e seu mais "pecaminoso" significado proposto pela igreja: A Cruz
Todos conhecemos o significado para ela da igreja: Cristo.Mas a existência deste símbolo é tão antiga quanto o suposto nascimento de JC, isto é, desde os tempos egípcios, onde a cruz significa vida eterna (o Ankh).
Para cada religião ou subcultura, seu significado se altera, podendo ser muito ou pouco.
Para os góticos: é a representação do sofrimento, da dor e da angústia.
Para os tengrinistas: simboliza o Deus Tengri.
Para os egípcios: a vida depois da morte.a vida eterna.


Existe ainda vários tipos de cruzes. 
Cruz Simples: é a perfeita simbologia da união dos opostos, mantendo suas 4 pontas com proporções iguais. Conhecida como Cruz Grega.

Cruz de St.André: simboliza a humildade e o sofrimento. Sua forma parece mais um "X" do que a cruz tradicional, por ser "tombada". Recabe este nome, pois alguém que acreditava muito em santos (ou era brasileiro e morava em Santo André), a batizou com o nome do Santo que, segundo conta a lenda, implorou a seus agonizadores para não ser crucificado como seu "senhor" JC, por considerar indigno. Segundo sua lenda, os agonizadores atenderam sua súplica e o crucificaram com a cruz tombada.
Cruz de Tau: nomeada assim por ser a reprodução da letra grega Tau, porém ela pode também ser denominada -infelizmente- de Cruz de St.Antonio. Considerada por muitos, como "a cruz da profecia e do antigo testamento". Uma de sua representações é o martelo de 2 cabeças, como sinal daquele que faz cumprir a lei divina.
Cruz de Anu: utilizada por vários povos para representar o Deus Anu. Nele é sugerido a irradiação da divindade em todas as direções do espaço.

3 de outubro de 2011

Compilação de pequenas Creepypastas

Sarah O' Bannon
Caixões costumavam ser construídos com furos, ligados a seis tubulações de cobre e um sino. As tubulações serviam para permitir a passagem de ar, casos as vítimas fossem enterradas com uma falsa impressão de morte. Em uma pequena cidade, Harold, o coveiro local, ao ouvir um sino em uma noite, saiu para ver se era uma criança fingindo ser um espírito. Às vezes também era o vento. Mas desta vez, não era um barulho qualquer. Vindo de baixo, uma voz emplorava para ser desenterrada.
"Você é Sarah O'Bannon?" - Harold perguntou.
"Sim!" - uma voz abafada confirmou.
"Você nasceu em 17 de setembro de 1827?"
"Sim!"
"A lápide diz que você morreu em 20 de fevereiro de 1857."
"Não, isso foi um erro, eu estou viva! Me tire daqui!"
"Desculpe por isso, senhorita." disse Harold, pisando sobre o sino para silenciá-lo e tapando as tubulações com terra. "Estamos em agosto. O que quer que você diga, com certeza não está mais viva, e não virá para cima."

The Pile of Photographs
Uma jovem garota, no caminho de volta para casa, encontrou uma pequena pilha de fotos Polairod. Haviam vinte no total, embrulhadas com uma faixa de borracha. Ela apanhou-as, e enquanto caminhava, começou a folheá-las. A primeira foto foi de um homem branco - como um fantasma - em um fundo preto, e como estava longe da câmera, era difício distinguir suas feições. A garota deslizou a fotografia para trás e olhou a próxima. A foto era do mesmo homem, mas agora estava um pouco mais próximo. Ela folheou as fotos que seguiam rapidamente. Cada vez o homem da foto vinha para mais perto e seu rosto ficava mais nítido.
Virando a última esquina da sua casa, a garota notou que o homem das fotos parecia estar olhando para ela, mesmo quando ela havia deixado a fotografia lado a lado da pilha. Ele assustava, mas ela continuou folheando, uma por uma. Na imagem 19, o homem estava tão próximo que o seu rosto parecia preencher a foto. Sua face era a mais terrível que a garota tinha visto. Próxima a entrada da garagem, ela virou para a última foto.
Desta vez, ao invés de uma imagem, haviam palavras: "Perto o suficiente."
Ouvindo um grito fora de sua casa, o irmão da garota correu para a porta e abriu-a. Tudo o que viu foi um monte de fotos estendidas na porta, vinte no total. A primeira parecia uma versão extremamente pálida da sua irmã, mas ela estava muito distante para ele ter certeza.

Nightmares
Um estudo recente do Instituto Nacional de Psiquiatria, em Boston, Massachusetts, concluiu que nenhuma atividade pode explicar o fenômeno conhecido como pesadelo. Considerando que muitos sonhos vêm de desejos inconscientes, a maioria dos pesadelos parecem vir de uma fonte externa, independente do indivíduo. Na verdade, quando os indivíduos são convidados a recordar os pesadelos, quase sempre são encontradas memórias físicas, e elas não se encontram na zona onde os sonhos normais são transmitidos.
Então, em outras palavras, aquelas criaturas e alienígenas que você vê em seus "sonhos"?
Eles são reais.

Peripheral Vision
Você já jurou ter visto algo pelo canto dos olhos? É um simples movimento capturado pela sua visão periférica. A maioria vai simplesmente ignorar isso, alegando ser apenas uma sombra provocada por uma luz oscilante, ou talvez o salto de um animal de estimação para um móvel. Noventa e nove em cem vezes, essas pessoas têm razão. Mais depois há aquela observação indescritível. Ela pode ser facilmente explicada pelas condições anteriores, mas algo parece errado nisso. Um arrepio na espinha, uma leve dor no peito. Talvez até mesmo uma leve distração, apenas para baixar sua guarda.
Se alguma destas coisas for sentida, comece a se preocupar. A nossa visão periférica é projetada para capturar movimentos, mesmo no escuro. Isso foi usado para defesa contra predadores no passo, e como muitos aspectos da nossa natureza humana, ela se manteve, mas enfraquecida. O ponto de vista do canto dos olhos ainda nos alerta para o perigo e, apesar dos predadores serem menos hoje em dias, eles ainda existem. Se você já sentiu o estranho frio em sua volta, tente não se concentrar naquela sombra que você viu no canto dos olhos.
Talvez seja melhor não ver.

The New Bride
Durante a recepção de casamento de um jovem casal, os convidados decidiram brincar de esconde-esconde. Foi decidido que o noivo deveria contar; ele acabou encontrando a todos, menos a sua noiva. Eventualmente, o homem ficou furioso e decidiu desistir, aquilo não era mais engraçado. Com o passar das semanas, ele pensou que a garota tinha segundas inteções e decidiu seguir sua vida por conta própria.
Poucos anos depois, uma faxineira tivava o pó de uma velha arca no sótão do edifício que ocorrera a recepção. Por curiosidade, ela abriu. Dentro havia o corpo apodrecido da noiva que havia desaparecido, aparentemente trancada no lugar onde havia se escondido. Não era possível descobrir se ela havia morrido sufocada ou de fome, mas seu rosto estava congelado em um grito e havia arranhões no interior da arca; ela tentou voltar para o homem que amava.

Nome desconhecido
Não descarte esta história como se fosse trabalho de algum lunático delirante. Há algum sentido, apenas continue lendo...
Veja bem, todos nos perguntamos se é possível viajar no tempo? Bom, deixe-me contar uma coisa.
Na verdade, eu sou do futuro. Sério. Sei que você provavelmente não está acreditando, mas eu sou realmente do futuro. Se você pensar bem, isso é algo grandioso: conseguir ver eventos passados, assistir acontecimentos não revelados, coisas assim. Nós saberíamos mais agora, do que jamais seremos capazes de saber.
Atrás de toda essa diversão, há um aspecto muito sério. Nós não devemos visitar nossa própria vida, nem NUNCA interagir com nossos "eu" passados. Deixe-me contá-lo, eu estou quebrando uma regra neste exato momento. Sim criança, você está falando com você mesmo. Seu ego futuro. Eu serei executado por isso, você sabia? Eu aceitei. Por falar com você eu estou prevenindo algo PIOR que a morte. Eu não posso dizer exatamente o que é, porque os filtros podem me pegar. Só posso dizer que isso está mais próximo do que você imagina.
De uma forma ou de outra, eu posso enviar uma pequena mensagem, confie em mim. Sutil o suficiente para passar despercebida pelos detectores.
Você deveria ler a primeira palavra de cada parágrafo, agora.

29 de setembro de 2011

Requiem from the Darkness e a maldade humana

Kousetsu Hyaku Monogatari, também conhecido como Requiem from the Darkness. O enredo nos mostra diversos casos que tratam de temas hostis como incesto, canibalismo e necrofilia. Possui um traço peculiar e é muito bem feito, não economizando em cenas brutais e chuvas de sangue, imagens estranhas e distorcidas que conseguem criar um aspecto aterrador.
No Japão feudal, um jovem escritor chamado Momosuke anda de terra em terra a fim de coletar material para conseguir concluir seu sonho; escrever um livro com histórias assustadoras sobre criaturas sobrenaturais. Quaisquer rumores de acontecimentos sobrenaturais, ele vai investigar.
Numa de suas viagens, se depara com um grundo peculiar composto pelo monge Mataichi, um grande e robusto homem chamado Chouji, com estranhas capacidades, e a bela Ogin, capaz de controlar pequenos fantoches.


O primeiro episódio é maravilhoso. Um gancho que te atiça e te deixa com uma intensa curiosidade. Mas ao acompanharmos o anime, o efeito não progride nem mesmo regride; continua igual. Monótomo, sempre temos o desejo de uma grande revelação ou algo fantástico, prometido pelo clima proporcionado, mas isso jamais chega. Sempre é seguida a mesma fórmula, do começo ao fim: Momosuke ouve falar de tal lenda, cenas assustadoras de tal entidade são jogadas na tela, e o estranho grupo revela a identidade do demônio ou fantasma, frisando ao espectador a opinião de que não há nada mais sinistro que a maldade humana.


O chato é que quando você é envolvido pela história sobrenatural apresentada no início, logo te jogam na cara um assassino e mostram que o paranormal não existe ali. É realmente massante, sempre a mesma coisa. Sempre bate na mesma tecla, enfatiza infinitamente que humanos são capazes de atos malignos e depravados que fariam monstros ficarem acanhados. E assim o tema é explorado o anime inteiro. Se me permite, lembra muito Scooby Doo numa versão japonesa para adultos, com cenas fortes.
Requiem from the Darkess possui essa explícita tendência previsível de conduzir o espectador às teorias de maldade que em muito se assemelham ao ditado por Thomas Hobbes em sua famosa obra de princípios absolutistas "O Leviatã", fazendo mais do que menção à engenhosa afirmação Homo homini lupus, O homem é o lobo do homem.


Relevando essa tendência, porém, eis um bom anime. De espetacular arte, possui cenários embriagantes, e o traço das personagens em si é fantástico. As cenas assustadoras são muito bem trabalhadas, passando longe do ridículo que muitos animes demonstram. Os demônios, fantasmas e tudo de bizarro são realmente boas figuras, passando longe do hilário. A trilha sonora, com exceção da abertura e encerramento em inglês que pouparei comentários, é ótima e tensa, se encaixando adequadamente nas situações.
Honestamente, acho um tanto apelativas obras repletas de sangue, mas no caso de Requiem, combina. Além de ser um ótimo atrativo aos carniceiros fã de Gore. Ignorando o fato de ser repetitivo, indico. É um ótimo passatempo.

27 de setembro de 2011

Tradução de Dong Ghost

Clique na imagem para ler a Comic.

Essa história coreana vem ganhando grande número de visualizações na web. O enredo trata de um fantasma de uma mulher que perdeu a filha e por isso se matou, e agora assombra o local onde cometeu suicídio.
Traduzi os quadrinhos a partir de um documento em inglês encontrado na descrição desse vídeo.

Tradução
A história é baseada em verdadeiros acontecimentos pessoais.
Provavelmente o relógio marcava algo em torno de 11:20 da noite. Eu estava indo para a casa depois de uma longa e cansativa sessão de estudos.
Mas eu não havia visto ninguém durante esse dia, o que é estranho, visando que o complexo de apartamentos é muito grande e eu costumo ver um monte de gente mesmo durante a noite.
De qualquer forma, eu estava um pouco assustada, então eu me limitava a caminhar com os olhos vidrados no chão, quando vi uma sombra se estendendo em minha direção. Mesmo não havendo ninguém ali há apenas um momento.
Quando olhei para cima...
Eu vi uma mulher andando em minha frente. Mas não podia vê-la direito.
Poderia-se dizer que ela parecia um tanto indisposta... Ela estava mancando de modo muito penoso.
Ela estava caminhando muito lentamente, e logo nos cruzamos. Eu podia vê-la melhor de perto.
Ela estava vestindo um pijama rosa e sujo... e parecia que seu corpo estava torcido. Seu cabelo estava uma bagunça, as pontas saindo a todas as direções.
Parecia muito estranho, por isso eu parei de caminhar.
Senti que não deveria ficar mais perto dela, e não tive coragem de passar por ela.
(O fantasma se vira.)
Dizem que quando você está realmente assustado, não consegue nem gritar. Eu não podia me mover, e congelei ali.
"Onde está meu bebê?"
Sua pergunta me gerou um turbilhão de pensamentos.
Nem sei porque fiz isso, então... E isso continua a me assustar.
Apontei para um lado tanto quanto podia e respondi: "Oh, ali!"
Eu só a queria longe de mim.
Ela se arrastava para a direção em que eu apontava.
E eu não podia mais vê-la.
Eu não quis arriscar correr na direção dela novamente, e então tentei dar a volta rapidamente e deixar o complexo de apartamentos.
Eu não conseguia pensar em nada, mas queria chegar em algo lugar com pessoas ao redor.
Então...
"Ele não estava lá!"
(O fantasma corre em sua direção)
Não me lembro do que ocorreu depois. Ouvi dizer que meu vizinho me encontrou desmaiada no chão e me levou para a casa.
Em 2007, em um apartamento em Boncheon-Dong, Gwna-Ak-Gu, Seoul, uma mulher de 33 anos, pulou de seu apartamento e morreu no local. Jo, que se divorciou, havia perdido a custódia de sua filho, e portanto, decidiu se suicidar.
Ela foi avistada andando em torno do complexo de apartamentos muitas vezes depois de sua morte. Ela estava descalça e trajava o pijama que estava usando ao morrer. Todos juntaram-se em volta de seu corpo distorcido, e era uma visão horrível.

O que a igreja tirou dos pagãos II



Na postagem anterior falei sobre o Deus Cornífero e a blasfêmia da parte da Igreja. Nesta falarei sobre um personagem muito famoso adorado e comentado e quase todas as religiões: Jesus Cristo
Jesus é ícone de todas as religiões cristãs por ter sido bom, enviado de um "deus único e onipresente " onde JC é seu único filho.Nasce de uma virgem. JC cresce com a fama de garoto prodígio, anda por ai como se fosse o maioral. Escolhe 12 discípulos, sendo que um deles é Judas, o traidor. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado em uma caverna mumificado, por seus fieis companheiros e 3 dias depois ressuscita misteriosamente. Faz inúmeros milagres. até seus 33 anos. Segundo a lenda.
Os espíritas dizem  que JC era médium por fazer seus milagres e que era bom samaritano, seu grau de mediunidade era avançado.
Os católicos o chamam de messias e mestre.
Os evangélicos dizem que após a vinda do anti-cristo, ele virá para buscar os bons samaritanos.

Hórus x JC

Hórus: era chamado de KRST, traduzido como Cristo.
Hórus: messias do Osíris.
Hórus: nascido da virgem Isis-Meri
Hórus: batizado por Anup em sua maior idade
Hórus: presenteado por 3 reis
Hórus: garoto prodígio aos 12
Hórus: andou sob as águas.
Hórus: teve 12 discípulos escolhidos a dedo.
Hórus: praticou milagres, ressuscitou um homem.
Hórus: disse que era o caminho da verdade
Hórus: invejado e considerado "Rei dos Egípcios"
Hórus: traído por Tifão
Hórus: julgado e condenado a crucificação.
Hórus:enterrado.
Hórus: ressuscita 3 dias depois

Mas como sempre, a igreja foi um pouco esperta e, pensando que ninguém descobriria sua invenção que dominou o mundo, fez algumas mudanças.
Hórus era guerreiro, jesus queria a paz.
Hórus era egípcio, jesus judeu
Hórus jogado para as baratas, como se fosse um papel de bala, jesus louvado até hoje.

Felizes são aqueles que não caíram nesta mentira, como os pagãos, ateus, céticos e judeus.
Fato engraçado: segundo a lenda, jesus era judeu.Os judeus não acreditam que ele era o messias.

Acreditar ou não é de seu critério, as cartas foram colocadas na mesa, o jogo começou.

O que a igreja tirou dos pagãos I

A igreja tem sido a "grande força" por séculos, mas muitos de seus personagens e símbolos não são autênticos, eles copiaram muita coisa de outras religiões antigas, principalmente, e vem tendo a fama de várias coisas que não são deles...na verdade, NADA praticamente é dela.
Aqui está um dos personagens que a igreja roubou dos pagãos.

O Grande Gamo ( o Deus Cornífero)
 Os cristãos ( e agora qualquer pessoa) o conhecem equivocadamente como Satanás, Demônio, Lúcifer, Belzebu, Legião, Diabo, Capeta etc...
Ele é o Deus das florestas no paganismo, especificamente na Wicca. Seus chifres representam renovação e virilidade. Também Senhor das Colheitas, se sacrifica voluntariamente para que a humanidade sobreviva. Ele é amor resumidamente. Filho e amante da Grande Morgana, traz o equilíbrio cósmico, por um não viver sem o outro.
Ele é a parte masculina da Grande Morgana, fazendo assim, uma crença não totalmente feminista nem totalmente masculina como a igreja. 

26 de setembro de 2011

Eric Kripke não adaptará Sandman


O criador da série Supernatural, Eric Kripke, há muito tempo esteve ligado com a suposta adaptação de Sandman (incrível saga em quadrinhos escrita por Neil Gaiman) a televisão.
“infelizmente, por uma série de motivos, Sandman não está mais em desenvolvimento, pelo menos não para esta temporada", disse Kripke ao The Hollywood Reporter durante o PaleyFest 2011. “Não rolou esta temporada, mas não foi culpa de ninguém. Espero que possamos tentar de novo no futuro", comenta, ainda.
Há mutos anos Sandman tenta lançar-se no cinema, mas sem previsão de sucesso. Se há uma esperança em relação a isso, ela é mínima. Uma pena aos fãs.
Drenando as esperanças daqueles que mesmo assim contavam com Kripke, é importante destacar que ele arrumou um novo projeto. Após se conscientizar de que gravar Sandman lhe era impossível, partiu para outro ícone dos quadrinhos: Deadman.
Segundo o Deadline, Kripke vai escrever e produzir o piloto para o canal CW, que após o final de Smallville está a procura de outra HQ da DC Comics para nela apostar. Kripke possui crédito no CW, visando que Supernatural está indo para a sétima temporada, repleto de audiência. Vamos ver se ele consegue cumprir seu objetivo com Deadman.
Honestamente, imagino que alguém tão clamado e puramente comercial quanto Eric Kripke não conseguiria transmitir a profundidade filosófica contida em Sandman. Creio que alguém mais simples cumpra melhor a tarefa.

Neil Gaiman escreve episódio para Dr.Who

Neil Gaiman escreveu um episódio para Dr.Who, exibido em 15 de Maio deste ano.
A história começa com o Doutor (Matt Smith) recebendo um sinal de outro suposto sobrevivente de sua raça. Cheio de expectativas, ele, Rony (Arthur Darvill) e Amy (Karen Gillan) vão a um planeta misterioso atrás do boato. Entre os habitantes do planeta que os saudam, há a bela e louca Idris (Suranne Jones). Os três acabam enroscados numa teia de enigmas e perigos inesperados.
Em entrevista à SFX, Neil Gaiman frisou o prazo e dinheiro estipulados por roteiros de TV, e comparou a produção de um roteiro com uma obra literária, onde não há esses limites. Contou também que um amigo fez a lista de cada parte do Tardis que foi citada nos 50 anos da série com o intuito de ajudá-lo.


Trailer do episódio

15 de maio de 2011

Necromancia

O texto a seguir foi totalmente retirado do livro Dogma

Enunciamos ousadamente o nosso pensamento ou antes a nossa convicção sobre a possibilidade do ressurrecionismo em certos casos; é preciso completar, aqui, a revelação deste arcano e expor a sua prática.

A morte é um fantasma da ignorância; ela não existe: tudo é vivo na natureza, e é porque tudo é vivo que tudo se move e muda incessantemente de formas.

A velhice é o começo da regeneração; é o trabalho da vida que se renova, e o mistério do que chamamos a morte era figurado entre os antigos por esta fonte de Juvência onde a pessoa entra decrépita e de onde sai criança.
O corpo é uma vestimenta da alma. Quando esta vestimenta está completamente gasta ou grave e irreparavelmente despedaçada, a alma a deixa e não mais a toma. Mas quando, por um acidente qualquer, esta vestimenta lhe escapa, sem estar gasta ou destruída, a alma pode, em certos casos, retoma- la, quer pelo seu próprio esforço, quer pela assistência de uma outra vontade mais forte e mais ativa do que a sua.

A morte não é nem o fim de vida nem o começo da imortalidade; é a continuação e a transformação da vida.
Ora, uma transformação sendo sempre um progresso, há poucos mortos aparentes que consentem em reviver, isto é, em retomar a vestimenta que acabam de deixar. É o que faz da ressurreição uma das obras mais difíceis da alta iniciação. Por isso, o seu sucesso nunca é infalível e deve ser considerado quase sempre como acidental e inesperado. Para ressuscitar um morto, é preciso fechar repentina e energicamente a mais forte das cadeias de atração que possa uni - lo novamente à forma que acaba de deixar. É, pois, necessário conhecer primeiramente esta cadeia, depois de apoderar- se dela e produzir um esforço de vontade tão grande para fechá- la instantaneamente e com uma força irresistível.

Tudo isto, dizemos nós, é extremamente difícil, mas nada tem de absolutamente impossível. Já que em preconceitos da ciência materialista não admitindo, hodiernamente, a ressurreição na ordem natural, há tendências para explicar todos os fenômenos desta ordem pelas letargias mais ou menos complicadas com os sintomas mais ou menos longos da morte. Lázaro ressuscitaria, hoje, diante dos nossos médicos, e eles simplesmente apontariam, no seu relatório para as academias competentes, o caso estranho de uma letargia acompanhada de um começo aparente de putrefação e de um odor cadavérico bastante forte; dariam um nome a este acidente excepcional, e tudo ficaria dito.

Não gostamos de contrariar ninguém e se para respeitar os homens condecorados que representam oficialmente a ciência é preciso considerar as nossos teorias ressurrecionistas como a arte de curar as letargias excepcionais e desesperadas, nada nos impedirá, espero, de lhes fazer esta concessão.

Se, porventura, uma ressurreição foi feita no mundo, é incontestável que a ressurreição é possível. Ora, os corpos

constituídos protegem a religião; a religião afirma positivamente o fato das ressurreições: logo, as ressurreições são possíveis. É difícil sair daí. Dizer que são possíveis fora das leis da natureza e por uma influência contrária à harmonia universal, é afirmar que o espírito de desordem, trevas e morte pode ser o árbitro soberano da vida. Não disputemos com os adoradores do diabo, e passemos.

Não é, porém, só a religião que atesta os fatos da ressurreição; colhemos vários exemplos deles. Um fato que tinha ferido a imaginação do pintor Greuze foi reproduzido por ele num dos seus quadros mais notáveis: um filho indigno, junto do leito de morte de seu pai, surpreende e rasga um testamento que não lhe era favorável; o pai se reanima, sobressalta- se, amaldiçoa o filho, depois se deita e morre uma segunda vez. Um fato análogo e mais recente foi atestado por testemunhas oculares: um amigo, traindo a confiança do seu amigo que acabava de morrer, tomou e rasgou uma atestação de fideicomisso subscrita por ele; à vista disso, o morto ressuscitou e ficou vivo para defender os direitos dos herdeiros escolhidos que este infiel ia prejudicar; o culpado ficou louco, e o morto ressuscitado foi bastante compassivo para lhe dar uma pensão.

Quando o Salvador ressuscita a filha de Jairo, entra só com seus três discípulos fiéis e favoritos; afasta os que faziam barulho e choravam, dizendo - lhes: “Esta moça não morreu, ela dorme ”. Depois, somente na presença do pai, da mãe e dos três discípulos, isto é, um círculo perfeito de confiança e desejo, toma a mão da moça, levanta- a bruscamente e lhe diz: “Menina, levantai -vos! ”A moça, cuja alma indecisa errava, sem dúvida, junto a seu corpo, de que talvez lamentasse a extrema mocidade e beleza, surpreendida pelo acento desta voz, que seus pais e sua mãe ouvem de joelhos e com estremecimentos de esperança, entra no seu corpo, abre os olhos, levanta - se, e o Mestre logo ordena que lhe dêem de comer, para que as funções da vida comecem um novo ciclo de absorção e regeneração.

A história de Eliseu, ressuscitando o filho de Sunamita, e a de São Paulo, ressuscitando Eutíquio são fatos da mesma ordem; a ressurreição de Dorcas por São Pedro contada com tanta simplicidade nos Atos dos Apóstolos , é igualmente uma história cuja verdade não poderia ser razoavelmente contestada. Apolônio de Thyana parece também ter realizado semelhantes maravilhas. Nós mesmos fomos testemunhas de fatos que não deixam de ter analogia com estes, mas o espírito do século no qual vivemos nos impõe, a este respeito, a mais discreta reserva, os taumaturgos estando expostos a ter, em nossa época, um acolhimento muito medíocre diante do bom público: o que não impede a terra de girar e Galileu de ser um grande homem.

A ressurreição de um morto é a obra -prima do magnetismo, porque é preciso, para realizá- la, exercer uma espécie de onipotência simpática. É possível no caso de morte por congestão, afogamento, languidez, histerismo.
Eutíquio, que foi ressuscitado por São Paulo, depois de ter caído do terceiro andar, sem dúvida não tinha nada rompido interiormente, e havia sucumbido seja pela asfixia ocasionada pelo movimento do ar durante a queda, seja pela surpresa e o temor. É preciso, em tal caso, e quando o operador sente a força e a fé necessárias para realizar semelhante obra, praticar como o apóstolo, a insuflação boca contra boca, ajuntando a isso o contato das extremidades para lhe dar calor. Se se tratasse simplesmente do que os ignorantes chamam um milagre, Elias e São Paulo, cujos processos, em tal caso, foram os mesmos, teriam simplesmente falado em nome de Jeová ou do Cristo.

Ás vezes, pode ser suficiente tomar a pessoa pela mão e levanta- la vivamente, chamando -a com voz forte. Este processo, que, de ordinário, é bem - sucedido nos desmaios, pode ter ação sobre a morte, quando o magnetizador que o exerce é dotado de uma palavra poderosamente simpática e possui o que poderíamos chamar a eloqüência da voz. É preciso também que seja ternamente amado ou respeitado pela pessoa sobre a qual quer agir, e que faça a sua obra por um grande impulso de fé e vontade, que nem sempre a pessoa acha em si mesma no primeiro susto de uma grande dor.
O que, vulgarmente, é chamado de necromancia nada tem de comum com ressurreição, e é, ao menos, muito duvidoso que, nas operações relativas a esta aplicação do poder mágico, a pessoa se ponha realmente em relação com as almas dos mortos que invoca. Há duas espécies de necromancia: a necromancia de luz e a necromancia das trevas; a evocação pela prece, o pantáculo e os perfumes, e a evocação pelo sangue, as imprecações e os sacrilégios. É somente a primeira que praticamos, e não aconselhamos a ninguém que se entregue à segunda.

É certo que as imagens dos mortos aparecem às pessoas magnetizadas que as evocam; é certo também que nunca lhes revelam coisa alguma dos mistérios da outra vida. As pessoas vêem - nas tais como podem estar nas lembranças dos que as conheceram, tais como, sem dúvida, os seus reflexos as deixaram impressas na luz astral. Quando os espectros evocados respondem às perguntas que lhes dão dirigidas, é sempre pelos sinais ou a impressão interior e imaginária, nunca com uma voz que realmente fere os ouvidos; e isto se compreende bem: como uma sombra falará? Com que instrumento faria vibrar o ar, ferindo - o de modo a fazer distinguir os sons?

Todavia, a pessoa sente contatos elétricos na ocasião das aparições, e estes contatos parecem, às vezes, serem produzidos pela própria mão do fantasma; mas este fenômeno é inteiramente interior e deve ter por causa única a força

da imaginação e as afluências locais da força oculta que chamamos luz astral. O que prova é que os espíritos ou, ao menos, os espectros como são considerados, às vezes nos tocam realmente, mas não seria possível toca - los, e é uma das circunstâncias mais espantosas das aparições, porque as visões têm, às vezes, uma aparência tão real, que não podemos, sem ficar comovidos, sentir que a mão passa através do que nos parece um corpo, sem poder tocar em coisa alguma ou encontrá - la.

Lê- se nos historiadores eclesiásticos que Esperidião, bispo de Tremithonte, que mais tarde foi invocado como santo, evocou o espírito de sua filha Irene, para saber dela onde se achava escondida uma soma de dinheiro que ela tinha recebido de um viajante. Swedenborg comunicava - se habitualmente com os pretensos mortos, cujas formas lhe apareciam na luz astral. Conhecemos várias pessoas dignas de fé, que nos asseguravam ter visto, durante anos inteiros, defuntos que lhes eram caros. O célebre ateu que Silvano Marechal apareceu à sua viúva e a uma amiga desta última, para lhes dar conhecimento de uma soma de 1.500 francos em ouro que tinha guardado numa gaveta secreta de um móvel. Obtivemos esta informação de uma antiga amiga da família.

As evocações devem ser sempre motivadas e ter um fim louvável; de outro modo, são operações de trevas e de loucura, muito perigosas para a razão e a saúde. Evocar por pura curiosidade e para saber se a pessoa verá alguma coisa, é estar já disposto a afadigar- se só com prejuízo. As altas ciências não admitem nem as dúvidas nem as puerilidades.

O motivo louvável de uma evocação pode ser de amor ou de inteligência.

As evocações de amor exigem menos aparato e são, em todas as maneiras, mais fáceis. Eis como é preciso proceder nelas:

Devemos primeiramente recolher com cuidado todas as lembranças daquele ou daquela que desejamos tornar a ver, os objetos que lhe serviram e guardaram a sua impressão, e mobiliar, quer um quarto em que a pessoa tenha habitado em sua vida, quer um lugar semelhante, onde poremos o seu retrato, coberto de branco, no meio das flores que a pessoa gostava e as quais renovaremos todos os dias.

Depois, é preciso observar uma data fixa, um dia do no que tenha sido, quer a sua festa, quer o dia mais feliz para a nossa afeição e a dela, um dia do qual supomos que sua alma, por mais feliz que seja, não pôde perder a lembrança: é este mesmo dia que é preciso escolher para a evocação, à qual nos prepararemos durante catorze dias.
Durante este tempo, será preciso observar em não dar a ninguém as mesmas provas de afeição que o defunto ou a defunta tinha direito de esperar de nós; será preciso observar uma castidade rigorosa, viver no retiro e só fazer uma refeição modesta e uma leve colação por dia.

Todas as tardes, à mesma hora, será preciso fechar - se com uma única luz pouco clara, tal como uma pequena lanterna funerária ou uma vela, no quarto consagrado à memória da pessoa de quem se tem saudades; a pessoa colocará a luz atrás de si e descobrirá o retrato, em presença do qual ficará uma hora em silêncio; depois perfumará o quatro com um pouco de bom incenso e sairá dele recuando.

No dia fixado para a evocação, será preciso preparar - se desde a manhã como para uma festa; não ser o primeiro a dirigir uma palavra a ninguém, só fazer uma refeição composta de pão, vinho e raízes ou frutas; a toalha de mesa deve ser branca; a pessoa porá dois talheres e cortará uma parte do pão que deverá ser servido inteiro; porá também algumas gotas de vinho no copo da pessoa que se quer evocar. Esta refeição deve ser feita em silêncio, no quarto das evocações, em presença do retrato coberto; depois a pessoa tirará tudo o que serviu para isso, exceto o copo do defunto e a sua parte de pão, que serão deixados diante do seu retrato.

De tarde, fora da visita habitual, a pessoa irá ao quarto em silêncio; acenderá um fogo claro com pau de cipreste e porá nele incenso sete vezes, pronunciando o nome da pessoa que se quer tornar a ver; apagará, depois, a lâmpada e deixará o fogo apagar- se. Neste dia, não descobrirá o retrato.

Quando a chama ficar apagada, porá incenso nas brasas e invocará a Deus conforme as fórmulas da religião à qual pertencia a pessoa falecida e conforme as idéias que ela tinha de Deus.

Será preciso, ao fazer esta prece, identificar- se com pessoa evocada, falar como ela falaria, acreditar ser, de algum modo, ela mesma; enfim, depois de um quarto de hora em silêncio, falar- lhe como se estivesse presente, com afeição e fé, pedindo - lhe que se mostre a nós; renovar esta prece mentalmente e cobrindo a fronte com ambas as mãos, depois chamar três vezes, em alta voz, a pessoa; esperar de joelhos e com os olhos fechados ou cobertos, durante alguns minutos, falando - lhe mentalmente; chamá - la ainda três vezes, com voz agradável e afetuosa, e abrir lentamente os

olhos. Não vendo nada, será preciso renovar esta experiência no ano seguinte, e, assim, até três vezes. É certo que, ao menos na terceira vez, obterá a aparição desejada, e quanto mais viver tardado, tanto mais será visível e surpreendente de realidade.

As evocações de ciência e de inteligência se fazem com cerimônias mais solenes. Se se tratar de uma personagem célebre é preciso meditar durante vinte e um dias a sua vida e os seus escritos, fazer uma idéia da sua pessoa, das suas afeições e da sua voz; falar- lhe mentalmente e imaginar as suas respostas, trazer consigo o seu retrato ou ao menos o seu nome, sujeitar- se a um regime vegetal durante dos vinte e um dias, e a um jejum severo durante os últimos sete; depois construir o oratório mágico tal como o descrevemos no décimo terceiro capítulo do nosso Dogma . O oratório deve ser inteiramente fechado; mas, se a pessoa deve esperar de dia, pode deixar uma estreita abertura ao lado em que bate o sol à hora da evocação e colocar diante desta abertura um prisma triangular; depois, diante do prisma, um globo de cristal, cheio de água. Se tiver de operar à noite, é preciso dispor a lâmpada mágica de modo a fazer cair o seu único raio sobre a fumaça do altar. Estes preparativos têm por fim fornecer ao agente mágico elementos de uma aparência corporal e aliviar a tensão da nossa imaginação, que não poderia, sem perigo, ser exaltada até a ilusão absoluta do sonho. Aliás, entende - se bastante que um raio de sol ou de lâmpada diversamente colorida, caindo sobre uma fumaça móvel, não pode, de modo algum, criar uma imagem perfeita. O fogareiro do fogo sagrado deve estar no centro do oratório, e o altar dos perfumes a pouca distância. O operador deve voltar - se para o oriente a fim de orar, e para o ocidente a fim de evocar; deve estar só ou ser assistido por duas pessoas que observarão o mais rigoroso silêncio; usará os vestuários mágicos tais como os descrevemos no sétimo capítulo; será coroado de verbena e de ouro. Deverá ter- se lavado antes da operação e todas as suas roupas deverão ser de uma intacta e rigorosa limpeza.

A pessoa começará por uma operação apropriada ao gênio do espírito que quer evocar, e que ele mesmo, se ainda vivesse, poderia aprovar. Assim, por exemplo, nunca seria possível evocar Voltaire, recitando orações do gosto de Santa Brígida. Para os grandes homens dos tempos antigos é preciso dizer os hinos de Cleanto ou de Orfeu, com o juramento que termina os versos áureos de Pitágoras. Por ocasião de nossa evocação de Apolônio, tomamos, como ritual, a magia filosófica de Patrício, que contém os dogmas de Zoroastro e as obras de Hermes Trismegisto. Lemos em alta voz o Nuctemeron de Apolônio, em grego, e acrescentamos a conjuração seguinte:



Para a evocação dos espíritos pertencentes às religiões emanadas de judaísmo é preciso dizer a invocação cabalística de Salomão, quer em hebreu, quer em qualquer outra língua que sabemos ter sido familiar ao espírito que evocamos:

“Potências do reino, ficai sob meu pé esquerdo e na minha mão direita; glória e eternidade, tocai nos meus ombros e dirigi -me nos caminhos da vitória; Misericórdia e Justiça, sede o equilíbrio e o esplendor da minha vida; espíritos de Malchut , levai - me entre as duas colunas nas quais se apóia todo o edifício do templo; anjos de Netsah e de Hod , firmai - me na pedra cúbica de Yesod.

Ó Gedulael ! ó Geburael ! ó Tiphereth ! Binael , sê meu amor; Ruach Hochmael , sê minha luz; sê o que és e o que serás, ó Ketheriel !

“Ischim , assisti - me em nome de Saddai ”.

“ Querubim , sede minha força em nome de Adonai ”.
“ Beni-Elohim , ”sede meus irmãos em nome do filho e pelas virtudes de Zebaoth “.
“ Elohim , combatei por mim em nome de Tetragrammaton ”.
“Malachim , protegei -me em nome de .
“ Serafim , purificai meu amor em nome de Elvoh ”.
“ Hasmalim , iluminai -me com os esplendores de Eloi e da Schechinah ”.
“Aralim , agi; Ophanim , girai e resplandecei ”.
“ Haioth ha Kadosch , gritai, falai, roncai, daí mugidos; Kadosch , Kadosch , Kadosch, Saddai, Adonai, Jotchavah, Eiazereie , Alleluiah, Alleluiah, Alleluiah . Amem. ”.

É preciso principalmente lembrar- se bem, nas conjurações, que os nomes de Satã, Belzebute, Adrameleque e outros, não designam personalidades espirituais, mas sim legiões de espíritos impuros. Chamo -me legião, diz no Evangelho o espírito das trevas, porque somos em grande número. No inferno, reina a anarquia, e o número que faz a lei e o progresso aí se realiza em sentido inverso, isto é, que os mais adiantados em desenvolvimento satânico, os mais degradados, por conseguinte, são os menos inteligentes e os mais fracos. Assim, uma lei fatal leva os demônios a descerem quando crêem e querem subir. Por isso, os que se dizem chefes são os mais impotentes e desprezados de todos. Quanto à multidão dos espíritos perversos, ela treme diante de um chefe desconhecido, invisível, incompreensível, caprichoso, implacável, que nunca explica suas leis e que tem sempre o braço armado para ferir os que não puderam adivinha- lo. Dão a este fantasma os nomes de Baal, Júpiter ou outros mais veneráveis, e que no inferno não são pronunciados sem haver profanação; mas este fantasma é simplesmente a sombra e a lembrança de Deus, desfiguradas pela sua perversidade voluntária e que ficaram na imaginação deles como uma vingança da justiça e um remorso da verdade.

Quando o espírito de luz que a pessoa evocou se mostra com feição triste ou irritada, é preciso oferecer- lhe um sacrifício moral, isto é, estar interiormente disposto a renunciar ao que o ofende; depois é preciso, antes de sair do oratório, despedi - lo, dizendo - lhe:

“A paz esteja contigo! Eu não quis perturbar -te, não me atormentes; trabalharei pare me reformar em tudo o que te ofende; oro e orarei contigo e por ti; ora comigo e volta ao teu grande sono, esperando o dia em que nos despertaremos juntos. Silêncio e adeus! ”

Não acabaremos este capítulo sem acrescentar, para os curiosos, alguns detalhes sobre as cerimônias da necromancia negra. Encontramos em vários autores antigos como a praticavam as feiticeiras da Tessália as Canídias de Roma. Cavavam um buraco, perto do qual degolavam uma ovelha preta; depois afastavam com a espada mágica as psilas e larvas que se supunham presentes e prestes a beber o sangue; invocavam a tríplice Hécate e os deuses infernais, chamando três vezes a sombra que queriam ver aparecer.

Na Idade Média, os necromantes profanavam os túmulos, compunham filtros e ungüentos com a gordura e o sangue dos cadáveres; misturavam a isso o acônito, a beladona, e o cogumelo venenoso; depois cozinhavam estas horrendas misturas em fogos acesos com ossos humanos e crucifixos roubados das igrejas; misturavam a isso pós de sapatos dessecados e a cinza de hóstias consagradas; depois untavam as têmporas, as mãos e o peito com o ungüento infernal; traçavam o pantáculo diabólico, evocavam os mortos em baixo dos patíbulos ou nos cemitérios abandonados. Ouviam - se de longe os seus uivos, e os viajantes atrasados acreditavam ver sair da terra legiões de fantasmas; até as árvores tomavam a seus olhos figuras que davam medo; viam - se cintilar olhos de fogo nas moitas, e as rãs dos charcos pareciam repetir com voz rouca as palavras misteriosas do Sabbat . Era o magnetismo da alucinação e contágio da loucura.

Os processos da magia negra têm por fim perturbar a razão e produzir todas as exaltações febris que dão a coragem para os grandes crimes. Os engrimanços que, outrora, a autoridade fazia tomar e queimar não eram certamente livros inocentes. O sacrilégio, o assassinato e o roubo são indicados de modo obscuro como meio de realização em quase todas essas obras. É assim que, no Grande Grimório e no Dragão Vermelho , falsificação mais moderna do Grande Grimório, lê - se uma receita intitulada: Composição de morte ou Pedra filosofal . É uma espécie de extrato de água forte, cobre, arsênico e verdete; encontram - se também nele processos de necromancia que consistem em cavar a terra dos túmulos com suas unhas, tirar deles ossos que devem ser conservados no peito em forma de cruz e assistir, assim, a missa da meia- noite, na noite de Natal, numa igreja, e no momento da elevação, levantar- se e fugir, exclamando: “Que os mortos saiam de seus túmulos! ”; depois, voltar ao cemitério, tomar um punhado de terra que se ache bem perto do caixão, voltar correndo à porta da igreja, cujos assistentes terá espantado com o clamor, depor aí os dois ossos em cruz, exclamando ainda: “Que os mortos saiam dos seus túmulos! ”, e, se não houver aí ninguém para vos prender e levar para o hospício, afastar-vos a passos lentos e contar quatro mil e quinhentos passos, sem voltar para trás, e o faz supor que seguis um grande caminho e escalais as muralhas. No fim deste quatro mil e quinhentos passos, deitar-vos - eis no

chão; depois de ter espalhado em cruz a terra que trazeis na mão, colocar-vos - eis como o cadáver fica no caixão e repetireis ainda,com voz lúgubre: “Que os mortos saiam dos seus túmulos! ”, e chamareis três vezes aquele que desejais que apareça.

Não é para se duvidar que a pessoa tão tola e tão perversa para se entregar a tais obras já esteja disposta a todas as quimeras e a todos os fantasmas. A receita do Grande Grimório é, pois, certamente muito eficaz, mas não aconselhamos a nenhum dos nossos leitores que faça uso dela.